sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Pense...

        

        Existe uma grande diferença entre, o que queremos ser, o que realmente somos e o que os outros enxergam, não perca tempo com opiniões alheias e planos bobos para os outros, pois pessoas mesquinhas tentem a ver só o que quer ver e o que lhes convém, construa sua próprias metas vá em busca de suas ambições, não desista por mais que pareça já ter chegado ao fim, por mais longa que for a jornada maior será a conquista, quanto mais alta for as dificuldades, altas também serão as suas glórias, o sucesso só aparece para quem vai em busca dele, a vida é sim muito curta então não perca tempo de forma desnecessária, nao acredite em tudo que dizem mas não duvide também, deposite toda sua fé em si mesmo pois só você sabe o que deseja e só você pode determinar seu caminho e somente você é o responsável pelos seus resultados. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sobre o método das ações físicas.

Sobre o método das ações físicas
                                       Jerzy Grotowski


Os atores pensavam poder organizar seu papel através das emoções e Stanislavski por muitos anos de sua vida pensou assim, de maneira emotiva.  O velho Stanislavski descobriu verdades fundamentais e uma delas, essencial para o seu trabalho, é a de que a emoção é independente da vontade.  Podemos tomar muitos exemplos da vida cotidiana.  Não quero estar irritado com determinada situação mas estou.  Quero amar uma pessoa mas não posso amá-la, me apaixono por uma pessoa contra a minha vontade, procuro a alegria e não acho, estou triste, não quero estar triste, mas estou.  O que quer dizer tudo isso?  Que as emoções são independentes da nossa vontade.  Agora, podemos achar toda a força, toda a riqueza de emoções de um momento, também durante um ensaio, mas no dia seguinte isto não se apresenta porque as emoções são independentes da vontade.  Esta é uma coisa realmente fundamental.  Ao contrário, o que é que depende da nossa vontade?  São as pequenas ações, pequenas nos elementos de comportamento, mas realmente as pequenas coisas - eu penso no canto dos olhos, a mão tem um certo ritmo, vejo minha mão com meus olhos, do lado dos meus olhos quando falo minha mão faz um certo ritmo, procuro concentrar-me e não olhar para o grande movimento de leques (referência às pessoas se abanando no auditório) e num certo ponto olho para certos rostos, isto é uma ação.  Quando disse olho, identifico uma pessoa, não para vocês, mas para mim mesmo, porque eu a estou observando e me perguntando onde já a encontrei.  Vejam a posição da cabeça e da mão mudou, porque fazemos sempre uma projeção da imagem no espaço; primeiro esta pessoa aqui, onde a encontrei, em qualquer lugar a encontrei, qualquer parte do espaço e agora capto o olhar de um outro que está interessado e entende que tudo isso são ações, são as pequenas ações que Stanislavski chamou de físicas.  Para evitar a confusão com sentimento, deve ser formulável nas categorias físicas, para ser operativo.  É nesse sentido que Stanislavski falou de ações físicas.  Se pode dizer física justamente por indicar objetividade, quer dizer, que não é sugestivo, mas que se pode captar do exterior.
O que é preciso compreender logo, é o que não são ações físicas.  As atividades não são ações físicas.  As atividades no sentido de limpar o chão, lavar os pratos, fumar cachimbo, não são ações físicas, são atividades.  Pessoas que pensam trabalhar sobre o método das ações físicas fazem sempre esta confusão.  Muito freqüentemente o diretor que diz trabalhar segundo as ações físicas manda lavar pratos e o chão.  Mas a atividade pode se transformar em ação física.  Por exemplo, se vocês me colocarem uma pergunta muito embaraçosa, que é quase sempre a regra, eu tenho que ganhar tempo.  Começo então a preparar meu cachimbo de maneira muito "sólida".  Neste momento vira ação física, porque isto me serve neste momento.  Estou realmente muito ocupado em preparar o cachimbo, acender o fogo, assim DEPOIS posso responder à pergunta.
Outra confusão relativa às ações físicas, a de que as ações físicas são gestos.  Os atores normalmente
fazem muitos gestos pensando que este é o mistério.  Existem gestos profissionais - como os do padre.  Sempre assim, muito sacramentais.  Isto são gestos, não ações.  São pessoas nas situações de vida.  Pois sobretudo nas situações de tensão, que exigem resposta imediata, ou ao contrário em situações positivas, de amor, por exemplo, também aqui se exige uma resposta imediata, não se fazem gestos nessas situações, mesmo que pareçam ser gestos.  O ator que representa Romeu de maneira banal fará um gesto amoroso, mas o verdadeiro Romeu vai procurar outra coisa; de fora pode dar a impressão de ser a mesma coisa, mas é completamente diferente.  Através da pesquisa dessa coisa quente, existe como que uma ponte, um canal entre dois seres, que não é mais físico.  Neste momento Julieta é amante ou talvez uma mãe.  Também isto, de fora, dá a impressão de ser qualquer coisa de igual, parecida, mas a verdadeira reação é ação.  O gesto do ator Romeu é artificial, é uma banalidade, um clichê ou simplesmente uma convenção, se representa a cara de amor assim.  Vejam a mesma coisa com o cachimbo, que por si só é banal, transformando-a a partir do interior, através da intenção - nesta ponte viva, e a ação física não é mais um gesto.
O que é gesto se olharmos do exterior?  Como reconhecer facilmente o gesto?  O gesto é uma ação periférica do corpo, não nasce no interior do corpo, mas na periferia.  Por exemplo, quando os camponeses cumprimentam as visitas, se são ainda ligados à vida tradicional, o movimento da mão começa dentro do corpo (Grotowski mostra), e os da cidade assim (mostra).  Este é o gesto.  Ação é alguma coisa mais, porque nasce no interior do corpo.  Quase sempre o gesto encontra-se na periferia, nas "caras", nesta parte das mãos, nos pés, pois os gestos muito freqüentemente não se originam na coluna vertebral.  As ações, ao contrário, estão radicadas na coluna vertebral e habitam o corpo.  O gesto de amor do ator sairá daqui, mas a ação, mesmo se exteriormente parecer igual será diversa, começa ou de qualquer parte do corpo onde existe um plexo ou da coluna vertebral, aqui estará na periferia só o final da ação.  É preciso compreender que há uma grande diferença entre Sintomas e Signos/Símbolos.  Existem pequenos impulsos do corpo que são Sintomas.  Não são realmente dependentes da vontade, pelo menos não são conscientes - por exemplo, quando alguém enrubesce, é um Sintoma, mas quando faz um Símbolo de estar nervoso, este é um Símbolo (bate com o cachimbo na mesa).  Todo o Teatro Oriental é baseado sobre os Símbolos trabalhados.  Muito freqüentemente na interpretação do ator estamos entre duas margens.  Por exemplo, as pernas se movem quando estamos impacientes.  Tudo isso está entre os Sintomas e Símbolos.  Se isto é derivado e utilizado para um certo fim se transforma em uma ação.
Outra coisa é fazer a relação entre movimento e ação.  O movimento, como na coreografia, não é ação física, mas cada ação física pode ser colocada em uma forma, em um ritmo, seria dizer que cada ação física, mesmo a mais simples, pode vir a ser uma estrutura, uma partícula de interpretação perfeitamente estruturada, organizada, ritmada.  Do exterior, nos dois casos, estamos diante de uma coreografia.  Mas no primeiro caso coreografia é somente movimento, e no segundo é o exterior de um ciclo de ações intencionais.  Quer dizer que no segundo caso a coreografia é parida no fim, como a estruturação de reações na vida.

De uma palestra proferida por Grotowski no Festival de Teatro de Santo Arcangelo (Itália), em junho de 1988.
 


















Fonte: http://www.grupotempo.com.br/tex_grot.html

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Quando estou no palco

Quando estou no palco não estou representando, não estou iludindo, estou falando o que penso através da máscara de minha personagem, por isso escolho peças, textos, que dizem o que quero dizer... Quando chego ao ensaio, sobre aquelas tábuas, sinto-me vivo, é como se as paredes meio descascadas da casa de cultura fossem parte de mim. Naquelas cadeiras as pessoas que amam sentam-se sempre e não há então como não amar aquelas cadeiras... Conheço cada canto daquele lugar, é minha casa verdadeira, é a morada de minha familia, o templo de meus protetores celestiais. O lugar no mundo onde mais quero estar. Os ensaios e conversas sem que ninguém olhe para o relógio e ninguém queira ir embora. O murmúrio da platéia antes do espetáculo começar... As luzes fortes no rosto. A excitação. A audiência. A tensão. A personagem que deveria ganhar vida propria. Os olhso e as expressões d emeus colegas. As vezes estamos tão próximos que parece irreal a existência de outros relacionamentos fora do teatro. Certamente nenhum amor, ódio, paixão pode ser mais forte do que as paixões que palpitam pelo palco em nossos encontros. 
Para a maioria, a absorção completa pelo teatro acontece durante os primeiros anos e depois passa eles simplesmente esquecem o teatro. Poucos são os que se deixam tocar para sempre, os que jamais conseguem encontrar o caminho de volta à vida fora do palco. Envelhecem envoltos aos misterios e paradoxos do palco, e temem a sede da impossibilidade de viver para sempre alí!



Por: Cléber Lorenzoni



https://www.facebook.com/cleber.lorenzoni.7/posts/449636471726299?notif_t=close_friend_activity

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os Saltimbancos

Minha opinião, a quem importe.





Quem esteve presente nesse ultimo fim semana (26 e 27 de maio) na Casa de Cultura Justino Martins de Cruz Alta/RS pode ver o mais novo trabalho do Grupo Teatral Máschara como o apoio da AAPA (Associação dos Amigos e Protetores dos Animais) no 48º Cena ás 7, o espetáculo Os Saltimbancos trouxe a o púbico cruzaltense um musical infantil qual foi inspirado no conto Os Músicos de Bremen recolhido pelos Irmãos Grimm ficou mais conhecido no Brasil depois de adaptado para o teatro de Sergio Bardotti. Com músicas de Enrique Martinez e letras de Chico Buarque. Em resumo, quatro animais muito diferentes entre si buscam um só ideal para suas vidas: escapar da opressão de seus donos. O jumento, a galinha, o gato e o cão representam, poeticamente, cada qual com sua personalidade, o sonho comum a todo ser humano: derrotar toda a forma de tirania já que eram oprimidos pelos seus antigos barões.
Na trama, o jumento – cansado de tanto trabalhar sem recompensa alguma – decide fugir para a cidade, almejando um emprego como músico. No caminho, encontra um cachorro, na verdade mais um animal desiludido com seu antigo dono, pois sempre estava atrelado às suas ordens e nunca tinha nenhum tipo de reconhecimento. O jumento, sensibilizado pela história do seu “quase igual”, convida o novo companheiro para segui-lo em direção à cidade. Pouco depois, no mesmo caminho, os dois encontram uma galinha, que também tinha fugido de um malvado dono. Rapidamente, ela se junta à dupla sonhadora. Adiante, encontram uma gata que não suportava mais viver presa, porque, segundo ela, os gatos já nascem livres. Por isso, também passou a acompanhar o trio.
A montagem apresentada pelo Grupo tem a direção de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge, que possa se dizer de passagem que foi exercido um ótimo trabalho, o espetáculo tem um visual incomparável, com figurinos e elenco assinados por Dulce com o apoio de Cléber Lorenzoni, afirmo em dizer que é de encher os olhos com uma direção de palco muito bem elaborada, um cenário simples, mas bastante funcional, além de um figurino muito bem desenhado os atores contavam com uma maquiagem linda e bastante expressiva dando ainda mais a identidade em cada uma dos animais, embora o ator Renato Casagrande tivesse a tomar mais cuidado já que na apresentação do primeiro dia viu-se a cara do cachorro escorrer, um pequeno detalhe diria assim já que no segundo dia não ocorreu o mesmo. Gabriel Wink na interpretação do Jumento que o cotutor do espetáculo, esta bem, mas conforme mostra o texto trata-se um velho e pobre jumento já calejado que trabalhou a vida toda, e isso faltou Gabriel trazer a sua personagem e por ser o condutor do drama cabe a ele dar o ritmo merecido, Gabriel tem um grande talento, mas que cabe salientar que suas insistentes tentativas de trazer o publico para participar não foram alcançadas e em minha opinião deveria ter ele se dado conta porque já que não obtido o êxito de inicio o ator corre o risco de parecer um tanto incomodo a pateia, isso também pode ser levado em conta pelo restante do elenco. Renato Casagrande como o Cachorro estava muito bem e dotava de uma energia magnifica até mesmo para um pobre cachorro velho abandonado pelo seu dono, mas nada que não venha apenas a somas na peça, Renato sem duvidas contava de uma energia contagiante e um ritmo um da qual parte do elenco também deveria utilizar, ele estava muito bem nas cenas em que lhe era exigido para cantar e dançar. Alessandra Sousa em a Galinha em alguns momentos me pareceu um pouco distante do que acontecia em cena, sua falta de ritmo nas musicas foram percebidas já que os atores estavam de microfones, mas sem duvidas soube executar muito bem sua personagem e estava excelente nas suas cenas com um bom toque de humor que causou um carisma em quem assistia, e por ultimo o Cléber Lorenzoni, no papel da Gata, talvez soe estranho em se falar que um homem representou uma gata em um espetáculo infantil, confesso que pra mim houve um grande receio já que o publico infantil é muito observador e exigente e que por ver um homem no papel de uma gata talvez trouxesse alguma revolta digamos assim, porem Cléber já é uma ator de longas datas e soube interpretar perfeitamente dando um toque especial a personagem embora ele tenha não pego bem as letras das musicas do espetáculo, e isso é muito importante já que se trata de um musical. Deixo ainda algumas colocações para o elenco em geral, como conhecer bem as letras das musicas e seus ritmos e também o texto como um todo, pois em cenas quem que havia dialogo tanto entre os atores como com a plateia o texto em si bem como foi escrito por Bardotti, acredito q a pouca experiência do grupo nesse tipo de montagem requer mais trabalho e afinação, e cabe ao grupo todo a conhecer mais como trabalhar com microfones para que isso não se torne um problema para quem os ouve.  Na parte técnica, na luz com elaboração de Cléber Lorenzoni e auxilio e execução de Ricardo Fenner houve pequenos contratempos porem nada que prejudique a peça, já na trilha sonora com execução de Gabriela Varone podem-se perceber alguns problemas que por sua vez causaram incomodo ora, por musicas que entravam mal, ora por volume que estava na medida errada.
Mas sem dúvidas esse novo trabalho tem muito a crescer e ser mais um grande sucesso desse Grupo que há 20 anos encanta nos palcos do nosso estado, não poderiam deixar aqui meus parabéns ao Máschara e dessas duas apresentações aqui comentadas quem sem dúvida ganhou muito foi o publico e especial às crianças, mas não só elas assim como os adultos que estiveram o prazer de poder ver mais um belo trabalho do Grupo Teatral Máschara.



Fonte: http://grupoteatralmaschara.blogspot.com.br/ , http://www.educared.org/educa/index.cfm?pg=biblioteca.interna&id_livro=50

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Nova música de Gabriel O Pensador



Nova música de Gabriel O Pensador responde a críticas sobre seu cachê           





             Se você acompanha o meu blog deve ter visto que já postei sobre o Gabriel O Pensador, tá não foi exatamente escrever algo sobre ele, mas há um vídeo desse artista, e nos últimos dias Gabriel tem sido foco de uma polemica sobre o seu contrato para a 27ª Feira do Livro     de Bento Gonçalves no interior do Rio Grande do Sul, onde eu também tive o prazer de fazer parte do lançamento da feira. Pra quem não sabe o artista nas suas varias formas de arte tem gastos para expor seu trabalho, para criar, para divulgar, é claro que para o artista o reconhecimento do publico é uma gratificação enorme, mas mesmo assim temos contas a pagar como qualquer cidadão, O Pensador ao ser convidado a ser patrono da Feira do Livro, como se fosse um pacotão artístico vendou seu show, livros e palestras que seriam doados as escolas do município, mas pelo visto não foi bem isso que alguém viu, e resolveu por a boca no trombone, ou acho que era isso que estava fazendo, mas na verdade prejudicou a comunidade escolar, e ao publico que receberia um show do artista. É triste, mas é isso mesmo que aconteceu em resposta a isso o Gabriel O Pensador abriu mão do seu cachê, isso mesmo, não vai receber por seu trabalho, agora imagine você que vai ao seu trabalho se dedica e alguém que por pura inveja fala mal de você e pra isso terá que não receber o seu salário, incrível, mas é isso mesmo, mas como Gabriel é um artista e a arte é sua melhor forma de expressão então confira o seu novo trabalho.


Depois da polêmica envolvendo o cachê de R$ 170 mil para participar da 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, Gabriel O Pensador fez uma canção sobre o tema. Linhas Tortas responde às críticas em tom de desabafo.
O valor incomodou tanto que o escritor Fabrício Carpinejar desistiu de participar do encontro. Por causa do mal estar, o músico resolveu cancelar o show de encerramento e a entrega de dois mil livros para a biblioteca da cidade.
Ele divulgou uma carta em seu site oficial, explicando sua situação. "O meu pagamento, além da honra de ser escolhido patrono da feira, seria estritamente a receita liquida da venda de livros pela editora (tirando impressão e transporte de livros e outros custos) mais o cache liquido do show, a ser fatiado com a empresaria, a banda e equipe". Mas segundo o Ministério Público, o custo não seria compatível com os gastos totais da feira, que somam R$220 mil. Por causa disso, a Justiça gaúcha cancelou o contrato da prefeitura com o músico.
Em seu perfil no twitter, Carpinejar ironizou: "Quem precisa se elogiar está desesperado.”.


Leia a letra da música:
Alguns às vezes me tiram o sono, mas não me tiram o sonho
Por isso eu amo e declamo por isso eu canto e componho
Não sou o dono do mundo, mas sou um filho do dono
Do verdadeiro Patrão, do verdadeiro Patrono

- E aí, Gabriel, desistiu do cachê?
- Cancelei um trabalho aí pra não me aborrecer.
- Explica isso melhor, o que foi que você fez?
- Tá tudo bem, eu explico pra vocês:
Tudo começou na aula de português
Eu tinha uns cinco anos, ou talvez uns seis
Comecei a escrever, aprendi a ortografia
Depois as redações, para a nossa alegria
Professora dava tema-livre, eu demorava
Pra escolher um tema, mas depois eu viajava
E nessas viagens, os personagens surgiam
Pensavam, sentiam, choravam, sorriam
Aí a minha tia-avó, veja só você
Me deu de aniversário uma máquina de escrever
Eu me senti um baita jornalista, tchê
Que nem a minha mãe, que trabalhava na TV
Depois, já aos quinze, mas com muita timidez
Fiquei muito sem graça com o que a professora fez
Ela pegou meu texto e leu pra turma inteira ouvir
Até fiquei feliz mas com vontade de fugir
Então eu descobri que já nasci com esse problema
Eu gosto de escrever, eu gosto de escrever, crer ver
Ver, crer, eu gosto de escrever e escrevo até até poema

Meu Pai, eu confesso, eu faço prosa e verso
Na feira eu vendo livro, no show eu vendo ingresso
Na loja eu vendo disco, já vendi mais de um milhão
Se isso for um crime, quero ir logo pra prisão

- Ih, pensador, isso é grave, hein!
É, vovó dizia que eu já escrevia bem
Tentei me controlar, me ocupar com um esporte
Surf, futebol, mas não era o meu forte
Um dia eu fiz uns raps e achei que tava bom
Me batizei de Pensador e quis fazer um som
Ficar famoso e rico nunca foi minha meta
Minha mãe já era isso, eu só queria ser poeta
Meu pai, um homem sério, um gaúcho de POA
Formado em medicina, não podia acreditar
Ao ver o seu garoto Gabriel
Com um fone nos ouvidos viajando com a caneta no papel
- O que você tá fazendo? Vai dormir, moleque!
- Ah, pai, peraí, eu só tô fazendo um rap!
Ninguém sabia bem o que era, mas eu tava viciado naquilo
E viciei uma galera!

Meu Pai, eu confesso, eu faço prosa e verso
Na feira eu vendo livro, no show eu vendo ingresso
Na loja eu vendo disco, já vendi mais de um milhão
Se isso for um crime, quero ir logo pra prisão

Não tô vendendo crack, não tô vendendo pó
Não tô vendendo fumo, não tô vendendo cola
Mas muitos me disseram que o que eu faço é viciante
E vicia os estudantes quando eu entro nas escolas
Até os professores às vezes se contaminam
Copiam minhas letras e textos e disseminam
Sementes do que eu faço, já não sei se é bom ou mau
Mas sei que muito aluno começa a fazer igual
Escrevendo poemas, escrevendo redações
Fazendo até uns raps e umas apresentações
Me lembro dos meus filhos e a saudade é cruel
Solidão me acompanha de hotel em hotel
Casamento acabou, eu perdi na estrada
O amor que ainda tenho é o amor da palavra
É falar e cantar, despertar consciências
Dediquei a vida a isso e maior recompensa
É servir de referência pra quem pensa parecido
Pra quem tenta se expressar e nunca é ouvido
É olhar pra minha frente e enxergar um mar de gente
E mergulhar no fundo dos seus corações e mentes
É esse o meu mergulho, não é o do Tio Patinhas
É esse o meu orgulho, escrever as minhas linhas
Eu escrevo em linhas tortas, inspirado por alguém
Que me deu uma missão que eu tento cumprir bem
Escuto os corações, como um cardiologista
Traduzo o que eles dizem como faz qualquer artista
Que ganha o seu cachê, que é fruto do trabalho
De cigarra e de formiga, e eu não sei o quanto eu valho
Mas eu sei que quando eu ganho, divido e multiplico
E quanto mais eu vou dividindo, mais fico rico
Rico da riqueza verdadeira que é de graça
Como um só sorriso que ilumina toda a praça
Sorriso emocionado de um senhor experiente
Em pé há duas horas debaixo do sol quente
Ouvindo os meus poemas em total sintonia
Eu sou ele amanhã, e hoje é só poesia
.


Veja o vídeo:

                                 






                                                                                                                                                Fonte: http://www.gabrielopensador.com.br/ ,  http://www.youtube.com/ , http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20120510203521&assunto=134&onde=Viver












terça-feira, 18 de outubro de 2011

CRÍTICA DA "RAINHA"


Crítica de O Incidente em Antonio Prado

De Cléber Lorenzoni   
 O Incidente em Antonio Prado

Ficha ténica:
Elenco:Cléber Lorenzoni, Angélica Ertel, Gabriel Wink, Luis Lara, Alessandra Souza, Ricardo Fenner e Renato Casagrande.
Sonoplasta: Newton Moraes

                               Começo esse análise reiterando que este é o Incidente não de Erico Verissimo e sim de Cléber Lorenzoni. Ok, a base está no livro escrito por Erico Verissimo na década de 70, mas o espetáculo sobre o palco com seus erros e acertos é de Cléber Lorenzoni, e um pouquinho de Dulce Jorge. Não a excluo, sei que ambos trabalham juntos, mas é visivel o autoritarismo artístico do jovem diretor.
                                 Pois bem, o Incidente fica agora dividido entre espetáculo curto sketch, e performance. Como espetáculo falta-lhe o recurso cênico, é simples até demais. Como performance ele é complexo demais, ultrapassando a estética de análise-observação rápida e simples que cabe a uma performance.
                                  Sei que há versões mais longas, com outros personagens, mas como disse, falo aqui de Incidente nos altos da serra.  O Trabalho corporal é digno do Grupo Máschara, coluna, densidade e um pouco de escatologia (saliva, guspe, vômito),tudo para acrescer verdade ao tal: "Vinham quais bonecos de molas"...  Os figurinos assinados por Dulce Jorge são de um colorido versátil e preenchem cada universo. Des de a camisola de hospital até a casaca fraque do maestro, em uma competente alusão ao livro. As maquiagens deixam no chinelo alguns filmes do gênero trash,e pelo que pude conferir causam choque na platéia boquiaberta, outra alusão perfeita, ao livro, embora a mancha de Cícero estivesse ao lado contrário ao mencionado na obra, e a tal barba do professor Menandro tenha desaparecido... Mas eis aí minha grande dúvida... Afinal, antes de tudo é uma obra teatral... E para que me surpreenda e estimule enquanto obra, deve sim ter sua verdade propria e não ser escrava do livro, ou estaria eu em frente há uma adaptação global que fica sempre sobre o muro...
                                As interpretações chocam em um primeiro momento e depois esbarram na mesmice, quase ao enfadonho. Cléber Lorenzoni preenche com estímulos seu advogado, há força, alguns espasmos musculares muito bem vindos e é incrível que consiga dirigir enquanto atuade forma tão perfeita. Creio que esse seja seu mairo mérito. Alguns poderiam dizer, mas isso é o jogo, não, ele realmente dirige ali na frente de todos, som, luz, elenco, sem prejudicar a narrativa, sem que o público perceba.  O seu texto é dito de forma agressiva, vem para os lábios, volta para o diafragma, analasa, desce aos pulmões, torna-se grave, por vezes agudo, susurra e volta ao palato. Uma aula de técnica vocal.
                                  Mas a surpresa me veio por Ricardo Fenner... Os atores do Máschara são muito escravos da fórmula inicial que Cléber lhes dá no inicio, fórmula essa que os atores devem se apropriar e depois de orgânica em sem seus corpos, essa fórmula crescer, qual filho que vai para o mundo, livre. Ricardo Fenner realmente parecia um bêbado e arrancou risadas do público, e quando o público ama, perdoai-me mas aos críticos cabe o silêncio. Se usou fórmulas trazidas de outros personagens pouco importa, o que o público víu foi Pudim de Cachaça, ponto final. Seu Pudim de Cachaça, sería isso o tal "Ator que tem tanto a dizer"? Pois veio a Antonio Prado e disse.
                                Angelica Ertel está sempre soberba, reviveu a criação de Dulce Jorge muito bem e se alguém vê nisso alguma incopetência criativa, pergunto se o verdadeiro profissionalismo não está exatamente nisso. Ao lado de Luis Fernando Lara, sua interpretação é vigososa, direitinha.
                                Gabriel Wink, Alessandra Souza, Luis Lara e Renato Casagrande têm alguns aquéns. Wink e Souza tinham boas cenas dramáticas, mas não conseguiram as densidades necessárias, o primeiro começou sem ritmo e ficou bem apenas do meio para o fim de seu solilóquio. A segunda beirou a gritaria, quase ao fim uma pausa boa e quando algo parecia prester a acontecer, a atriz deixou desmoronar. A voz de Gabriel Wink subiu para a garganta enquanto a de Luis Lara extinguiu-se. Se não ouvimos a voz do ator e perdemos a historia da personagem, não há mais nenhum bom motivo para alí estar. Consegui ouvir quase tudo, mas se o espetáculo durasse mais alguns minutos a voz desse competente ator desapareceria.
                                  Renato Casagrande é jovem e seu amadurecimento de ator vem crescendo junto com o desenvolvimento de sua propria personalidade.  A direção poderia dar-lhe mais espaço, a historia de João Paz é só mencionada e pouco nos revela o atorsobre sua personagem.
                                   O Incidente desenrola-se como uma bola, tem um climax quase que contínuo e de repente acaba, só não é sem mais nem menos por que Dr. Cícero nos diz que os mortos partirão para o cemitério. Quando acaba da uma vontade de sair correndo e adquirir o livro o que passa lógo depois, já que a literatura ainda é prazer de poucos nessa tanatocracia.


Ao ator Ricardo Fenner e ao diretor Cléber Lorenzoni dedico-lhes o céu
Aos atores Gabriel Wink, Renato Casagrande, Luis Lara e Angélica Ertel a terra da constante e profissional interpretação.
A Alessandra Souza a busca de mais, no xeól.


    A Rainha   ****




http://grupoteatralmaschara.blogspot.com/2011/10/critica-de-o-incidente-em-antonio-prado.html